quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Desgraças...



Graças à celeuma que se está a fazer pela publicação de umas caricaturas, que para além de porem em perigo seres humanos através do uso da violência e a própria exequibilidade das minhas próximas excursões por terras muçulmanas, criaram um manifesto para ser assinado por quem é a favor da liberdade de expressão. É só ler:
«Um bom sinal sobre o movimento de repulsa pela chantagem contra a liberdade de expressão é que ele é transversal, ultrapassa algumas dualidades simplistas que se pretendem impor como absolutas na mecânica política, como a de "esquerda / direita". E isso dá-lhe força, como se vê na lista dos signatários do abaixo-assinado que, circula na Rede e que é, até agora, o mais significativo movimento de protesto pelo que se está a passar.

http://liberdade.home.sapo.pt/

Já assinei.

E porque uma desgraça nunca vem só, e o concurso que um jornal iraniano promoveu pode levar alguém a enviar uma caricatura do Kandinski a ser sodomizado por um nazi quando foi expulso da BAUHAUS, aproveito para comunicar um evento no Coliseu no próximo dia 17, do qual eu, amigos e familiares iremos participar, e que provavelmente será... “pá DESGRAÇA!” =D
Depois do concerto - que se espera de arromba - dos quase dinossauros BAUHAUS com Peter Murphy, Daniel Ash, etc., temos a BAUHAUS after show party no swing! (com o DJ Ivo T, claro!)

Aproveito para informar que se alguém estiver interessado em adquirir bilhetes (dizem que ainda serão postos à venda 200 bilhetes no dia do concerto - às 10h - por preços que podem variar entre 22,50€ e 30€), que me diga até amanhã, e com um custo adicional de 1 aério por bilhete*, o meu mano "mainovo" vai lá prá bicha (salboseija!) tentar comprar.

* mínimo 4 interessados. =D

13 comentários:

Pedro Galinhas disse...

Andei uns dias em reflexão, a tentar entender se haveria algo de racional na reacção da mouraria. Nada, nada encontrei que justificasse tamanha inflamação e violência, a não ser complexos, tacanhez, ignorância e intolerância.
Os ódios vão aumentar, a violência também. O Irão desafia o Ocidente, Israel desafia os árabes. É a guerra, não a fria, mas bem quentinha, aqui e ali. Até ao século XII-XIII, os árabes eram culturalmente superiores, tecnicamente mais avançados e, consta, bem mais tolerantes que os europeus. O legado dos seus avós foi posto de parte e a degradação é evidente. Viram-se ultrapassados por povos que superaram as questões religiosas, não sem banhos de sangue, e que seguem, senão de modo ideal, pelo menos teoricamente justo, igualitário, um rumo que se crê ser o que delinearam, com muitas mortes e sacrifícios, os nossos avós, trabalhassem eles no campo, fossem eles de sangue azul.
Mais uma vez teremos que recorrer aos livros de História para compreender estas questões, sob pena de nada entendermos sobre o que se está a passar.
As imagens degradantes da prisão iraquiana, verdade seja dita, mostram também intolerância, revanchismo, ódio, e é assim que se prevê que o novelo de lã vá aumentando de volume.
Mais questões que vão adiando a resolução das que realmente interessam, como a erradicação da pobreza.

Anónimo disse...

Quero manifestar o meu enorme desagrado por neste blogg que tanto admiro se pretender, mais uma vez, a pretexto da liberdade de expressão, não respeitar determinados valores que são sagrados para muitos seres humanos!!!
Queria só dar um exemplo para os crentes e não crentes em Deus, de modo a saber se é justificável utilizar a liberdade de expressão até domínios que, pessoalmente julgo que deixam de enaltecer esse bem precioso que a muito custo nós ainda vamos tendo alguma, isto é, a liberdade de expressão, mas que dignifique o outro e que não o espezinhe. Aqui vai uma hipotéctica situação para saber quem estará de acordo:
Um dos teus familiares mais queridos faleceu. Durante a sua vida surgiu determinada pessoa onde surgiu uma inimizade séria entre os dois, a ponto de quase se odiarem. Não interessa julgar quem foi o responsável dessa inimizade. No dia do funeral do teu querido familiar, encontraste no portão do local onde foste sepultar o teu grande amigo um enorme cartaz ridicularizando esse teu familiar.
Será que poderemos designar isto como uma vitória da liberdade de expressão?
Eu só pergunto, não quero atacar ninguém!!!

Evidentemente que repudio veementemente que a um ataque se responda com outro tipo de ataque pois isso é manifestamente um alimento do ódio. Quem tem razão no conflito Israel-Palestina? Se estudarmos a história até podemos concluir que um deles, no início teve algukma razão de queixa do vizinho. Eu tenho uma opinião mas, ela deixou de ter qualquer valor na actualidade pois, uma vez mais, os 2 povos dessa região, ou melhor, alguns dos seus elementos perante um erro do vizinho respondeu com um ataque e, assim sucessivamente. A chamas da fogueira do ódio foram e vêm sendo, cada vez mais, aumentadas.......e quando há ódio nas duas partes nenhuma dessas partes tem razão.

Congratulo-me sim, de a maioria dos europeus, julgo que é a maioria, nãõ estar a ripostar a verdadeira guerra que alguns dos nossos irmãos mulçulmanos fizeram após se sentirem fortemente atacados no seu intímo. Nisso, estamos de parabéns, ou seja, alguns pois, foi percisamente por neste meu querido blogg ter aparecido como "ripostagem" à guerra d4e alguns dos muçulmanos um projéctil (caricaturas do principal profeta da religião islamica)que me vi obrigado a escrever esta minha mensagem para avisar os autores que, embora talvez sem se aperceberem, estão a alimentar a s chamas da fogueira do ódio, ou seja, pouco falta para nem uns, nem os outros deixarem de ter qualquer razão.
Pedro Alves

bombas disse...

Exmo. Sr. Dr. Lux0 (gonzalez),
Já devia saber que estes temas, sérios e complicados para todos, não são aqueles que mais dão que falar e/ou comentar no nosso meio bloguista, mas dou-lha toda (a força) por se manifestar neste espaço e exprimir as suas opiniões…
Não é que concorde consigo quanto ao tema em questão, bem pelo contrário, sou de opinião oposta à sua. Posso expor os meus argumentos com perguntas? Obrigado, então aí vai. Leste (posso começar a tratá-lo por tu?) bem o que assinaste? Posso transcrever uma parte desse manifesto? Então lê bem o excerto que seleccionei: “…imprensa ocidental fizeram eclodir uma impressionante onda de violência em alguns países islâmicos. Um ódio que assemelha a algo de irracional, inflamado nas multidões de rua, transformando-se assim na representação de uma vaga de barbárie…”
Não achas que está tudo muito empolado? Não é esta a mensagem que “lhes” interessa passar dos detentores de jazidas de petróleo e de gás natural? Será tudo uma maquinação para fazer o que se fez no Iraque ao Irão? Quais são as diferenças que vês destes radicais islâmicos para os Hooligans, por ex? Lembras-te de Heisel Park? Morreram 39 adeptos (pais, mães, filhos, velhos, novos…) da Juventus. Sabes quantos JOVENS morrem todos os fins-de-semana em Itália, França, Inglaterra, Alemanha e Espanha vítimas de fenómenos BÁRBAROS (em nada diferentes dos tão horripilantes que nos relatam do Médio Oriente) como o Hooliganismo? Sabes com quantos polícias vai o meu irmão rodeado quando se desloca com a JUVELEO? Sabes que a minha família não me deixa ir ver um jogo de futebol da Super Liga com a minha filhinha de 4 anos porque dizem que é muito perigoso? Sabes com que dinheiro é patrocinado o clube do melhor treinador do Mundo? Já ouviste falar de tráfico de mulheres na Europa? De chulos, de olhos pisados e braços partidos de mulheres que vivem em países que dão todos os direitos às mulheres? “The girls of Bragança” num país tão bom como o nosso? Escravidão de mulheres nas nossas barbas? Ter de haver Leis que obriguem a haver maior equilíbrio em cargos de chefia entre mulheres e homens? Embaixadores e apresentadores de alto gabarito e da máxima confiança das nossas mãezinhas a comer os pacotes de putos órfãos ou desprotegidos? Portas de segurança em casa, três fechaduras e grades nos pisos inferiores? Sabes quantos CIVIS morreram no Afeganistão e no Iraque (para não recuar mais na História dos países Ocidentais) nos últimos anos? Lembraste da comunidade negra de Los Angeles quando se revoltou no país da “liberdade”? Sabes quantos morreram? Sabes porque se revoltaram? Sabes porque o Sr O. J. Simpson não foi condenado à morte e foi ilibado? Sabes o que são os direitos Humanos? Os EUA respeitam-nos? Pena de morte em países civilizados? Sabes que os Israelitas (estes sim, radicais loucos, perigosos, detentores do poder, oportunistas do pretenso holocausto) matam mais do quádruplo de Palestinianos em raides militares aéreos do que os atentados suicidas dos Palestinianos? Sabes que esses mesmos radicais judeus possuem arsenal nuclear? Viste o que os soldados das forças de OCUPAÇÃO têm feito ao povo local? Etc, etc, etc, etc…
E já agora, já pensaste bem na falta de coerência que manifestas quando falas de ir passar férias a um país que se manifesta contra os cartoons e que grande parte dos terroristas que são apanhados em todo o Mundo é desse mesmo país? Que vais lá fazer? Vais em missão Humanitária ou vais apregoar o Cristianismo como no tempo das Cruzadas? Vais explorá-los e continuar a aumentar o fosso entre ricos e pobres ou, pelo contrário, vais deixar lá divisa Europeia para minimizar os estragos feitos pelos Ocidentais ao longo de décadas?
E, para finalizar, depois de tão bárbaros actos cometidos por esse povo (que teve a infeliz sorte de se deixar espezinhar) quantas mortes já tiveste conhecimento que tenham havido? Aí umas vinte ou trinta, e ainda por cima são eles próprios que são mortos pelas suas próprias polícias locais pressionadas para tal pela imprensa, mais uma vez, Ocidental.
È favor ler tudo com atenção e começar a abrir os olhos.
E apesar de tudo, desde que me lembro de existir, não sinto que haja o mínimo de falta de liberdade de expressão, falta sim é pessoal que se respeite e que não abuse do poder da comunicação social para as “lavagens cerebrais”.

Teoria da conspiração???? Se calhar até é um bocado, mas é o que sinto cada vez mais.
Beijos do bombas…

bombas disse...

Ó Sô Doutor Pedro Órelhas: então "hipotética" escreve-se "hipotéctica"?????
E já agora pode-me dizer o que quer dizer "percisamente"???? É que essa palavra não consta no meu diccionário.
Depois dizem que os alunos chagam mal preparados às Universid... É que com professores a dar calinadas destas (ainda por cima prof. Universitários) quem tem moral para dizer que os catráios falam mal e escrevem bem pior?
Estou a brincar contigo, embora não tenha de to dizer a ti, pois sei que sabes que eu sei que tu sabes.
Quanto às teorias por ti apresentadas, são muito lamechas e a dar o caso como se alguém (muçulmanos) tivesse necessidade de ser desculpado e compreendido. Para mim, existem diferenças,existiram e sempre existirão. O grave é não percebermos que essas diferênças existem. E o que é dado adquirido e certo para nós, pode-o não ser para os Árabes. E não nos podemos julgar mais civilizados ou com a razão toda. OH /Ó caro Orelhas, pensamos de maneira aproximada mas acho que não devemos ir por aí. Eles sentiram-se mal e manifestaram-se e ponto final.E os civilizados,que somos nós, deixaram chegar isto a este ponto por causa do orgulho e da mentira de que se o fizessem deixavam de ter liberdade de expressão.
Que nos pariu a todos nós, os civilizados.

Dr.Lux0 disse...

Realmente, Galinha, a erradicação da pobreza seria o ideal e um assunto prioritário, mas, pela explicação que deste, há povos (religiões) que têm outro tipo de prioridades. Partilho da tua opinião quando dizes que há muitos factores que nos são desconhecidos em relação ao islamismo. Se bem que neste caso será a versão fundamentalista.
Fico admirado quando o Pedro Alves fala em desrespeito por valores sagrados, pois não foi isso que eu escrevi, nem faltei ao respeito a ninguém. Simplesmente publiquei uma das 12 caricaturas da polémica. Não acho que a publicação destas caricaturas seja um espezinhamento de quem quer que seja. Senão vejamos: Quantas vezes já apareceram Deus, Jesus, Moisés, etc., caricaturados em cartoons da internet, dos jornais e dos média em geral? Não sei se conhecem o filme “Bruce, O Todo-poderoso” em que um Deus negro dá o seu poder a um humano qualquer durante uns tempos. O que dirão os defensores da raça ariana e os restantes xenófobos quando são confrontados com esta imagem de um Deus negro? É uma afronta, para eles, não é? Podiam processar a quem de direito ou exprimir a sua insatisfação queimando bandeiras e partindo a loiça toda! Podiam mas não o fizeram. Os próprios negros não-crentes podiam levar o caso à barra dos tribunais. O contra-informação é um bom exemplo da liberdade de expressão. Figuras públicas são caricaturadas e levadas ao ridículo por esse programa. Têm piada e divertem-nos, mas os afectados não fazem disso uma tempestade num copo de água! Penso que só o facto de o fundamentalismo-islâmico querer fazer crer que se morreres no meio de um cinturão de bombas, desde que “avies” um ou dois (e mesmo que sejam inocentes) vais para o céu e tens 7 virgens à tua espera....

Não acho que seja comparável uma polémica desta grandeza com o exemplo que deste, e nem me admiro que já tenha acontecido mesmo. Se for para falar em atrocidades, convido-te a falar dos tempos da inquisição praticada pelo clero da altura. Fica o “réptil”.

Quanto ao dito “ataque” – sim, por ti, Pedro – por um jornal dinamarquês a um ícone muçulmano, foi respondido com outro “ataque”, por um jornal iraniano através de um “concurso de cartoons sobre o holocausto”. Isto sim, é responder na mesma moeda, se bem que as partes mais afectadas com esse concurso serão judeus e alemães, mas foi o que se pode arranjar. Agora, daí a queimar embaixadas, agredir pessoas e ameaçar de morte, já penso que ultrapassa o bom senso. De qualquer maneira não acho que o nosso blog seja visionado mundialmente e, sendo assim, não alimentarei qualquer “chama da fogueira do ódio”, e continuarei a escrever as minhas opiniões sobre qualquer assunto, pois gozo dessa liberdade de expressão que defendo. Peço desculpa se me fiz compreender mal.

Quanto ao Bombas, e falando do hipotético “empolamento” do manifesto, eu vejo televisão e já vi várias imagens que confirmam a descrição. Bem sei que são alguns (poucos) extremistas/desgraçados que o fazem, mas fizeram-no. Também não penso que a política americana esteja metida nisto (parte mais interessada no petróleo) até porque nem é só no Irão que se passam estas cenas, mas um pouco por toda a comunidade islâmica – é só ver as notícias e ler os jornais. Os americanos e os ingleses estão “ocupados” com o Iraque, o Afeganistão e mais recentemente com os vídeos de violência das suas tropas. Quanto ao desrespeito pelo Irão na retoma do enriquecimento do urânio, é mais um motivo para eles (e nós todos!) se preocuparem.
De todas as desgraças que falas – hooliganismo, violência, dinheiros sujos, tráficos, pedofilia, etc., - são assuntos que não abordei e davam muito pano para mangas, logo não comento para já. O país de que falo – Marrocos – ainda não manifestou violentamente a sua discordância, já que uma grande fonte de receitas é o turismo, é isso que eu lá vou fazer. Gosto da cultura muçulmana na sua essência – como já disse o Galinha “Até ao século XII-XIII, os árabes eram culturalmente superiores, tecnicamente mais avançados e, consta, bem mais tolerantes que os europeus “– e acho Marrocos um dos países muçulmanos mais equilibrados nesse aspecto. Portanto, vou lá deixar divisa europeia – como dizes e bem – e aproveito para enriquecer a minha cultura.
Quanto às mortes, é bem verdade. São mortes por estupidez, e são eles próprios que morrem (para já!).
No fim acho que me dás alguma razão quanto à liberdade de expressão. Pena que liberdade para alguns seja sinónimo de mentira.
Quanto ao ser civilizado, admito que prefiro sê-lo a ser selvagem, louco ou ignorante...

canjas disse...

Esta merda das caricaturas a mim nada me diz, mas o concerto dos Bauhaus, isso sim, foi 1 espectaculo!(e cá pra mim, não foi o ultimo!:))

Pedro Galinhas disse...

Quem tem razão na qustão israelo-árabe?! É lógico que são os palestinianos. Estavam sossegados no seu canto quando de repente aparaceram uns gaijos com massa a comprar tudo. Depois começaram a botar a cerca mais pra lá e mais ainda (a gente sabe como são os judeus). Como foram tão perseguidos (não tanto como as mulheres, não tanto como os pobres, não tanto como os animais, não tanto como os pretos, átecetra) e controlam um considerável número de coisas nos Eua e não só, são aliados e protegidos dos amaricanos...e como tal toca a bater nos islamitas, que não deixam de ser uns retrógrados, que pararam no tempo na Baixa Idade Média, ou em antes até...tenho dito....

bombas disse...

boa galinhas..
só falta dizer que o holocausto é um exagero.

a única discordância é em relação aos "retrógrados" pois acho que são apenas diferentes de nós.

Senão o que seremos nós em relação aos Nórdicos? Outros retrógrados?
Acho é que há diferênças culturais e de calor na galga...

Anónimo disse...

Nós estamos civilizacionalmente-com todas as subdivisões que lhe estão associadas-atrasados. Podemos também dizer que somos de outra civilização. Nós estamos, como diz Gilberto Freyre, entre a Africa e a Europa. A questao da periferia não é tanga, é mesmo verdadeira. Somos os parolos da Europa, tal como os "matutos" do interior nordestino, como os inocente alentejano em Lisboa que quer comprar um broche para levar á mulher, como os bairristas portuenses que quando vai à televisão só grita PUAAAAARTO, como o moçambicano do mato que chega a Madrid para bulir, ou como eu, eventualmente, quando um dia chegar a Copenhaga ou Estocolmo.
Somos bem atrasados, digo eu. A nossa mentalidade está para um europeu do norte como a do africano subsariano das planícies do Níger para nós, ai está, está!
País de sol,ao sul, mediterrâneo, periférico, estamos na vanguarda no hóquei em patins.
Vivemos na corda bamba entre o país que quer ser rico e o que quer descansar ao sol, que quer que a maçã caia da árvore, e aí estamos há anos, nessa cordinha. Não somos nem brancos nem pretos, nem ricos nem pobres, nem europeus de facto nem africanos de jure. É um problema de identidade? Não, nem pensar, é A identidade que é assim. Estamos na caudinha em muitos aspectos,noutros na vanguarda, como no OK em patins.

Pedro Galinhas

Anónimo disse...

Meu caro galinha,

Desde longa data admiro e elogio a tua elevada cultura acerca da História. Contudo, como não existe na terra ninguém que seja detentor da verdade absoluta, quando na mensagem anterior refere que "é lógico que são os palestinianos que têm razão na questão israel-árabe" fico admirado que alguém com bons e grandes conhecimentos de História, para chegar a esta ideia se tenha reportado somente à História da última metade do século passado! Na realidade, no início do século XX não existia na palestina um país dos judeus mas recorda-te um pouquinho da História anterior ao século XX e diz-me onde se encontrava a grande maioria do povo Judeu? Seria na América? Claro que não, pois antes do século XV a América ainda nem era do conhecimento dos povos europeus e do oriente! Mas, então onde estava esse povo, que designamos de judeus? A minha parca sabedoria da História mundial diz que, pelo menos no século I esse povo encontrava-se precisamente onde eles actualmente hoje estão mas, verdade seja dita, nesse local eles não eram os únicos. Até romanos aí existiam! Ou seja, no próximo oriente sempre foi povoado por diferentes povos. Em meados do séc. XX, com o acordo geral da grande maioria dos países mundiais (resolução da ONU) os judeus, que entretanto não tinha sitio no mundo onde cair vivos (mortos caiam nas camaras de gás da Europa)ficou decidido que considerando que todos os povos têm direito a terem um país e, tendo em consideração a origem histórica desse povo particular que é os judeus, foi aceite pela ONU que o Estado de Israel era legítimo. Como procuro não ver só um dos sítios (procuro não ser sectário) não posso e não quero ficar com a História até 1946, ou seja, durante a 2ª metade do século XX, o povo judeu que vivia no país legítimo, designado Israel, decide alargar as suas fronteiras, ou seja, violar aquilo que a ordem internacional considerou justo. Aqui é que o caldo se entornou pois quem levou com essa afronta foram os vizinhos palestinianos, sendo-lhe roubado parte das terras onde viviam. O povo palestiniano revoltou-se, e segundo a minha opinião com razão mas, infelizmente, parte desses cidadãos do mundo não sabem revoltar-se senão recorrendo à barbárie, ou seja, ripostar com homens bombas, etc., etc., etc..
Não sei se este pequeno texto está a deturpar os factos históricos mas, julgo bem que o que referi é a verdade histórica. Se o é, então os teus argumentos que procuram justificar a tua opinião ("é lógico que são os palestinianos que têm razão")~estão incorrecto e, desse modo a tua opinião vai por água abaixo. Mais do que ver quem tem ou não tem razão, é preciso ver o que têm feito todos os outros povos para que o clima de ódio naquela região diminua drasticamente para, aí sim, procurar resolver os problemas desses dois povos (palestinianos e judeus) que têm, qualquer deles, direito a ter um pais.
Pedro Alves

Pedro Galinhas disse...

Não admires os meus conhecimentos históricos que eles são muito limitados. Deixa-me no entanto elogiar-te: darias um grande historiador, tal a imparcialidade com que procuras abordar os problemas. Sendo assim, és "apenas" um bom professor e um mau agricultor. Eu serei um dia, eventualmente, no máximo, um ensaísta de menor importância.
A formação do Estado de Israel ganhou força depois da derrota dos Turcos, na I grande guerra, eles que dominavam a Palestina desde há muitos séculos. Por outro lado os árabes finalmente saíam do jugo turco, e acalentavam esperanças de domínio na região.
Desde esta data que os judeus começaram a instalar-se na Palestina. Em 1948 os desgraçados dos judeus lá conseguiram que a ONU dividisse a Palestina, e uma parte fosse para eles. É aqui que a porca torce o rabo: mas que merda é esta, dividir a Palestina e entragar parte aos Judeus? Por alma de quem? Eles já não estavam ali desde o século I, porque razão lhes davam agora uma terra? Tinha sido deles? Não, talvez dos seus antepassados, mas isso, quanto a mim, não dá direitos. A história desenrolou-se, os povos ali existentes ocuparam posições, as quais mantiveram, com alternância, por 2000 anos, enquantos os judeus deambulavam por esse mundo fora, como agentes de progresso, refira-se justamente.
Abriu-se, quanto a mim um grave precedente ao dar-se a terra aos judeus, que, refira-se, não aceitaram a imposição da ONU em fazer de Jerusalem uma cidade "independente". Grande cebolada sem fim à vista. Palestinianos humilhados na sua própria terra.
E a partir de 1948 a comunidade internacional pode dispor da história e dos espaços geográficos como bem entender. Assim, prevê-se que em 2025 Portugal seja a pátria dos Ciganos, já que a Índia não os quer; prevê-se que todos os não-índios americanos tenham que voltar às suas terras de origem, porque os índios conseguiram que a ONU lhes desse o que era deles antes de 1500, mais precisamente desde aprox. 20 000 a.c(!!!); os árabes vão ter que deixar todo o Magreb, pois ocuparam-no indevidamente, depois da expansão do islão, desde o século VII.
Enfim, está está, e não vou fazer disso um cavalo de batalha, mas se me perguntam eu respondo: para mim é injusta a atribuição, em terrenos ocupados pelos palestinianos, de um enorme terreno aos judeus, cujos antepassados dali sairam, seja porque motivo for, há cerca de 2000 anos...

Pedro Alves disse...

Gostei da tua informação. Ela demonstra uma grande capacidade intelectual, ou seja, é uma resposta com cabeça, tronco e membros. De qualquer modo, considero correcto se ter permitido que os judeus tivessem um país e, considero que a resolução da ONU foi a mais correcta porque entre as diferentes regiões do mundo, aquela ainda era a que mais significado tinha para os judeus.
Claro que estou completamente de acordo contigo em que é completamente injusto eles terem-se apropriado de terras que a ONU não lhes tinha "oferecido". Por outro lado,julgo que Jerusalém, é um dos poucos locais do mundo que não devia pertencer a um único povo, mas sim ser como algo pluriétnico. De qualquer modo, como isso é quase utópico na situação actual, pelo menos devia ser uma cidade de 2 países (Israel e Palestina) e foi isso que a ONU deliberou.
Bem, afinal quando dialogamos conseguimos criar pontes. Afinal, duas opiniões distintas, a tua e a minha, pareçem não ser completamente incompatíveis. É incrível é haver meia dúzia de fanáticos que não queiram ouvir o outro e, prefiram atacar imediatamente. Com o devido respeito e em termos bem menores, a mensagem do Maricôncio sobre a religião é algo como a actitude dessa meia dúzia de fanáticos de que falei. Adorei o retrato que fizeste do aniversário do Peta e a actitude do Maricôncio: é por essas e por outras que tem uma alcunha que lhe caie como uma luva: RATOLA

Pedro Orelhas

Pedro Alves disse...

actitude! Madre mia, como anda o meu português!
Não sei o que se passa comigo que ao escrever não reparo nos erros ortográficos e só quando leio o que escrevi tenho a noção que errei.
Talvez seja esta a razão por ir só entregar a tese de doutoramento no século XXII, ou seja, ando sempre a ler o que escrevi para corrigir........JODERRRRRRRRRRR