Ontem saí do trabalho (não emprego) e dirigi-me ao parque da CMP, aquele por debaixo do viaduto da antiga Feira da Vandoma (esse mesmo, junto à PSP da Batalha), quando, quase a chegar ao caixa, ouço, vindas do referido viaduto, lá de cima, frases saídas de vozes de jovens locais: "Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH CORNO, Ó/OH BOI, Ó/OH FILHA DA PUTA!"....instantaneamente abrandei, deixando-me ficar debaixo do viaduto, acabando de fumar o meu cigarrito. Nem sei bem porque fiquei parado, mas senti que algo podia acontecer. Um homem, que seguia atrás de mim dirigiu-se ao caixa. Portanto, não parou, não é? Entretanto, os jovens locais da Sé continuavam com aquele vocabulário tão típico do Porto, e da Sé muito mais: Ó/OH BOI, Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH FILHA DA PUTA, Ó/OH CORNO!
"É muito feio chamar sigurança a um homem", pensava eu, enquanto o homem que não parou quase levava com uma maçã das grandes nas pernas, vinda do cimo do viaduto.
Depois do perigo passar saí do meu esconderijo e abordei o securita contratado pela CMP, dentro da casota: "isto acontece muitas vezes?". "Sim, que hei-de fazer? Não posso fazer nada. Não posso sair daqui. Mas se são felizes assim, olha!"-respondeu com tranquilidade.
Mas não vás mais longe: no passado domingo, fumava também um cigarrinho, desta feita na minha marquise (posso não ter quintal nem ao menos uma varanda, mas tenho uma coisa muito fina, que até se escreve em francês), quando ouço, desta vez lá de baixo, vinda de um miúdo de 7-9 anos, que jogava a bola com mais uns quantos, um belo e valente "VAI LAMBER A CON* (eu nem ponho o resto) DA TUA SOGRA!" (!!!!) Aquilo era demais, ouvia-se nos 3 prédios que rodeiam o pátio onde os putos jogam. mas aqueles putos não têm educação, não têm pais?! Pera aí que já lhe digo. Da janela do 4º andar falei em voz alta, com tom de zangado: "Ó/Oh MENINOS, ENTÃO QUE CONVERSA É ESSA, HÃ?!?!...AI, AI AI!!!". Olharam e calaram-se. Do alto da janela do meu 4º andar olhava agressivo para os miúdos, que acataram bem a voz da autoridade.
Eu até concordo que se defendam as tradições, a cultura local, os linguajares, os dialectos e tudo o mais, mas acho que também se deve ensinar aquele português, tá bem, menos popular, mais complexo, com uma gramática mais elaborada, tudo bem, aquele português que se fala na televisão, que os deputados e os jornalistas e até o SODOKU utilizam.
Por exemplo, se os miúdos do viaduto tivessem dito Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH CORNO, Ó/OH BOI, e acrescentassem VAI COMPRAR TREMOÇOS À TASCA DO SR. JOAQUIM, assim eu saberia que eles aprenderam aquele português de que vos falava, aquele que forma a língua nacional. Se os putos do meu prédio tivessem dito VAI LAMBER A CON* DA TUA SOGRA, acrescentando, MAS COLOCA OS PELOS PARA O LADO, QUE TE PODES ENGASGAR, então aí eu saberia que valeu a pena os anos que andaram na escola, que aprenderam mais qualquer para além daquele linguajar popular, repetitivo, rico em vogais fortes mas pobre em fartura de termos...
Onde andam os governantes e os educadores deste país? VÃO TODOS PRÓ CARALHO, PÁ. VÃO TODOS MAS É LEVAR NO CÚ, CABRÕES! INCOMPETENTES DO CARALHO! CHULOS!