Lembram-se da Pacific Sud? E de uma idas diferentes ao Continente de Matosinhos? Qual é o volante mais famoso do Amial? E do rapaz que foi à Holanda em viagem de finalistas? O que vos sugere?
Pois eu digo-vos o que a mim me sugere: roubos descarados, practicados por, hoje, pacíficos amialenses, casados, com filhos, frequentadores de igrejas.
Nas idas décadas de 80 e 90 (?), protagonizei, com outros, idas à Pacific Sud, fábrica e loja de gangas na Ponte da Pedra. Boas, baratas e fáceis e roubar. O truque era vestir um par no provador e colocar por cima as nossas. Era opcional comprar ou não outro par. Eu comprava. Não era assim tão descarado. Apanhávamos o 71 e lá íamos em expedição roubar. O controle era quase nulo e que eu me lembre nunca ninguém foi apanhado.
O Belmiro de Azevedo também foi lesado variadíssimas vezes, mas aí o sistema de segurança era mais apertado. Um dia, o meu colega de "profissão", resolveu levar um volante daqueles grandes, para o seu 127. Ele era magro e o casaco de couro não ocultava o papo. Eu insisti que era melhor não, mas ele era persistente. Eu bem vi quando a ranhosa o viu a ajeitar o maljeitoso volante e avisei-o. Ele disse que tinha sido impressão minha. Acabámos no escritório do chefe de segurança a despejar o produto do roubo. Só a título de curiosidade, cito alguns dos artigos: chocolates, fiambre, uma lata de um produto para carro (127!) e um belo e enorme novo volante.
Recordo ainda uma ida ao Algarve, onde, no parque de Campismo de Albufeira, os pequenos almoços para o pessoal eram gratuitos, tomados na própria esplanada da piscina do parque. Eu e um famoso amialense encarregavamo-nos de trazer do mini-mercado do parque os víveres para dar de comer a esfomeados de Braga, Lisboa, Aveiro e Ovar, se bem me recordo.
Para terminar, lembrar a internacionalização de alguns amialenses no mundo do crime, como um finalista de curso na Holanda, que depois expôs em cima da cama o material adquirido, para quem quisesse apreciar, e ainda uma ida à Suiça, minha e de mais uns 4, durante a qual se roubou em mercearias e cafés e até havia um elemento que transformava pesetas em francos suiços, limando-as no torno do hangar onde dormíamos, que lhe davam acesso, muito mais em conta, a selos, chocolates e cigarros de máquina. Lembro-me que num dia ele ía tirar selos da máquina, mas alguém tinha dado pela tramóia e fechou a ranhura.
Quase todos no Amial passámos por fases cleptómanas. Quem não passou que se acuse. Se não houver comentários estamos conversados. Se quiserem, contudo, recordar alguns episódios, fachabor.