quarta-feira, novembro 15, 2006

Ó/OH CORNO, Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH BOI !!!!

Ontem saí do trabalho (não emprego) e dirigi-me ao parque da CMP, aquele por debaixo do viaduto da antiga Feira da Vandoma (esse mesmo, junto à PSP da Batalha), quando, quase a chegar ao caixa, ouço, vindas do referido viaduto, lá de cima, frases saídas de vozes de jovens locais: "Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH CORNO, Ó/OH BOI, Ó/OH FILHA DA PUTA!"....instantaneamente abrandei, deixando-me ficar debaixo do viaduto, acabando de fumar o meu cigarrito. Nem sei bem porque fiquei parado, mas senti que algo podia acontecer. Um homem, que seguia atrás de mim dirigiu-se ao caixa. Portanto, não parou, não é? Entretanto, os jovens locais da Sé continuavam com aquele vocabulário tão típico do Porto, e da Sé muito mais: Ó/OH BOI, Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH FILHA DA PUTA, Ó/OH CORNO!
"É muito feio chamar sigurança a um homem", pensava eu, enquanto o homem que não parou quase levava com uma maçã das grandes nas pernas, vinda do cimo do viaduto.
Depois do perigo passar saí do meu esconderijo e abordei o securita contratado pela CMP, dentro da casota: "isto acontece muitas vezes?". "Sim, que hei-de fazer? Não posso fazer nada. Não posso sair daqui. Mas se são felizes assim, olha!"-respondeu com tranquilidade.
Mas não vás mais longe: no passado domingo, fumava também um cigarrinho, desta feita na minha marquise (posso não ter quintal nem ao menos uma varanda, mas tenho uma coisa muito fina, que até se escreve em francês), quando ouço, desta vez lá de baixo, vinda de um miúdo de 7-9 anos, que jogava a bola com mais uns quantos, um belo e valente "VAI LAMBER A CON* (eu nem ponho o resto) DA TUA SOGRA!" (!!!!) Aquilo era demais, ouvia-se nos 3 prédios que rodeiam o pátio onde os putos jogam. mas aqueles putos não têm educação, não têm pais?! Pera aí que já lhe digo. Da janela do 4º andar falei em voz alta, com tom de zangado: "Ó/Oh MENINOS, ENTÃO QUE CONVERSA É ESSA, HÃ?!?!...AI, AI AI!!!". Olharam e calaram-se. Do alto da janela do meu 4º andar olhava agressivo para os miúdos, que acataram bem a voz da autoridade.
Eu até concordo que se defendam as tradições, a cultura local, os linguajares, os dialectos e tudo o mais, mas acho que também se deve ensinar aquele português, tá bem, menos popular, mais complexo, com uma gramática mais elaborada, tudo bem, aquele português que se fala na televisão, que os deputados e os jornalistas e até o SODOKU utilizam.
Por exemplo, se os miúdos do viaduto tivessem dito Ó/OH SIGURANÇA, Ó/OH CORNO, Ó/OH BOI, e acrescentassem VAI COMPRAR TREMOÇOS À TASCA DO SR. JOAQUIM, assim eu saberia que eles aprenderam aquele português de que vos falava, aquele que forma a língua nacional. Se os putos do meu prédio tivessem dito VAI LAMBER A CON* DA TUA SOGRA, acrescentando, MAS COLOCA OS PELOS PARA O LADO, QUE TE PODES ENGASGAR, então aí eu saberia que valeu a pena os anos que andaram na escola, que aprenderam mais qualquer para além daquele linguajar popular, repetitivo, rico em vogais fortes mas pobre em fartura de termos...
Onde andam os governantes e os educadores deste país? VÃO TODOS PRÓ CARALHO, PÁ. VÃO TODOS MAS É LEVAR NO CÚ, CABRÕES! INCOMPETENTES DO CARALHO! CHULOS!

6 comentários:

Anónimo disse...

Marquise (do francês “marquise”, «esposa de marquês», «variedade de pêra», «grande toldo usado nas tendas de oficiais») é um regionalismo, tanto em Portugal como no Brasil. Em Portugal, trata-se «em apartamentos e casas, [de] área de serviço envidraçada, para proteger do frio, do vento e da chuva; marquesa», enquanto, no Brasil, será «na fachada dos edifícios, cobertura em balanço, lateralmente aberta, para proteger da chuva e do sol»
(in Dicionário Eletrônico Houaiss).

bombas disse...

TÁVEM, TÁVEM, gaLINHAS...
BAI LÁ DE FÉRIAS QUE ESTÁS MESMO A PREXIXAR...

Luzinha disse...

Ó/OH!!!!!

e digo mais...

Ó/OH!!!!!

;O))))))

Pedro Galinhas disse...

Ó Bombas, não te admito. Lá porque não tens tempo para leres o meu bonito texto, não é chegar aqui e arrotar e prontos...já te riste com bem menos.Ainda por cima não escrves nada. mais vale mudar isto para Ecos do Galinhas e encerra-se o caso...

Reitor da Universidade Gabriel Alves disse...

Eu estou como a Luzinha, gostei muito da parte do Ó/Oh. Foi um requinte literário.

:)

Dr.Lux0 disse...

Este blog está a descer de nível, mas gostei da atitude e da lição de moral/educação. No nosso tempo dizia-se mais "Ó MALUCO, ÉS PARVO? SE FOSSES MAZÉ COMER CÓCÓ DE CÃO NO CHURRASCO É QUE FAZIAS BEM! E PASSA PRA CÁ OS CROMOS DO CONAN ANTES QUE TE DÊ UM EMPURRÃO E TE MAGOES NAS NALGAS!
Talvez já tivessemos dito merda, mas isso foi num acesso de raiva anormal.
Depois, mais tarde, quando já tinhamos visto o Sandokan, a Abelha Maia e o Calimero, é que aprendemos asneiras (mesmo não sabendo bem o que queriam dizer) graças às adaptações das bandas sonoras dessas famosas séries, por "poetas" da altura [Sandokan, sandokan, duas cuecas e um sutiã(...). E_O_CA_LI_MERO FOI AO C* À_BELHA MAIA(...) - Também há a versão da co** em vez de c*. Ou ainda a música - versão hard-core - dos OMD, Enola Gay: Enola Gay, fui-t'ao c* e não te paguei, oh oh oh que maçada, a tua co** estava "e"nflamada]. Não obstante estas "lições", a educação em frente dos adultos mantinha-se intocável.
Hoje, parece-me que se tem menos vergonha, que a educação regrediu, e que não tarda nada está tudo a insultar-se com palavrões acima de merda...
É triste, mas é assim que vamos.
Até onde?
Fica a questão...