quinta-feira, maio 26, 2005

COMO ANDAM ESSAS MEMÓRIAS?

Lembram-se da Pacific Sud? E de uma idas diferentes ao Continente de Matosinhos? Qual é o volante mais famoso do Amial? E do rapaz que foi à Holanda em viagem de finalistas? O que vos sugere?
Pois eu digo-vos o que a mim me sugere: roubos descarados, practicados por, hoje, pacíficos amialenses, casados, com filhos, frequentadores de igrejas.
Nas idas décadas de 80 e 90 (?), protagonizei, com outros, idas à Pacific Sud, fábrica e loja de gangas na Ponte da Pedra. Boas, baratas e fáceis e roubar. O truque era vestir um par no provador e colocar por cima as nossas. Era opcional comprar ou não outro par. Eu comprava. Não era assim tão descarado. Apanhávamos o 71 e lá íamos em expedição roubar. O controle era quase nulo e que eu me lembre nunca ninguém foi apanhado.
O Belmiro de Azevedo também foi lesado variadíssimas vezes, mas aí o sistema de segurança era mais apertado. Um dia, o meu colega de "profissão", resolveu levar um volante daqueles grandes, para o seu 127. Ele era magro e o casaco de couro não ocultava o papo. Eu insisti que era melhor não, mas ele era persistente. Eu bem vi quando a ranhosa o viu a ajeitar o maljeitoso volante e avisei-o. Ele disse que tinha sido impressão minha. Acabámos no escritório do chefe de segurança a despejar o produto do roubo. Só a título de curiosidade, cito alguns dos artigos: chocolates, fiambre, uma lata de um produto para carro (127!) e um belo e enorme novo volante.
Recordo ainda uma ida ao Algarve, onde, no parque de Campismo de Albufeira, os pequenos almoços para o pessoal eram gratuitos, tomados na própria esplanada da piscina do parque. Eu e um famoso amialense encarregavamo-nos de trazer do mini-mercado do parque os víveres para dar de comer a esfomeados de Braga, Lisboa, Aveiro e Ovar, se bem me recordo.
Para terminar, lembrar a internacionalização de alguns amialenses no mundo do crime, como um finalista de curso na Holanda, que depois expôs em cima da cama o material adquirido, para quem quisesse apreciar, e ainda uma ida à Suiça, minha e de mais uns 4, durante a qual se roubou em mercearias e cafés e até havia um elemento que transformava pesetas em francos suiços, limando-as no torno do hangar onde dormíamos, que lhe davam acesso, muito mais em conta, a selos, chocolates e cigarros de máquina. Lembro-me que num dia ele ía tirar selos da máquina, mas alguém tinha dado pela tramóia e fechou a ranhura.
Quase todos no Amial passámos por fases cleptómanas. Quem não passou que se acuse. Se não houver comentários estamos conversados. Se quiserem, contudo, recordar alguns episódios, fachabor.

10 comentários:

bombas disse...

Uma vez gamei dióspiros no campo ao lado dos Escuteiros. Também gamei ameixas no vizinho lá de casa. A pior foi quando gamei maracujás a um vizinho e a minha velhota apanhou-me com a t'shirt carregadinha deles. Levei com a colher de pau nas mãos que me quilhei. Na Suíça, não fui eu a gamar, mas sim o meu companheiro de trabalho que gamava tudo que fosse caro. As empregadas eram muito otárias. Eu cagava-me todo com medo de ser deportado por causa do André andar a gamar coxas de frango congeladas caté lhe queimavam os guisos.
Em Itália e em Marrocos, tive de implorar a um dos meus compinchas para não gamar nada, pois podiamos ser encarcerados e quiçá levar na peida dos outros reclusos. Na ex-Checoslováquia, o gamado fui eu. Foderam-me 7 contos e quinhentos no mercado negro. Era um velho que se eu lhe escupisse, ele caía, mas com truques de dedos fodeu-me a minha pastinha. Mas dessas há mais mas não comigo.hehehe
Em Marrocos, fui ao monte gamar uns pésinhos de cannabis sativa. Para perfumar o carro por causa dos peidos dos "Pedros". hehehe
Na Grécia, nunca gamei nada porque também não tive coragem e, além disso, nunca lá fui.
Já gamei muitas marcas de carro na altura em que era moda fazer-se isso para colecção. Renault 5 Laureat(?), Citroen Boca de Sino, Fiat Mirafiori (eram os da moina).
etc etc
descosam-se os outros que gamaram muito mais do que eu.
Olha o canjas, por ex. Bastava ir com ele a uma loja e dizia-lhe assim: canjas, preciso daquela peça. era já a seguir.

Pedro Galinhas disse...

Ahahahahahahaha! Muito bom o teu testemunho.
E também ficámos a saber o porquê da recusa do Conclave em não aceitar o Papa Canjas I. Nem sequer foi a votos, pelos pecadinhos que cometeu em "pequeno".

Dr.Lux0 disse...

Eu confesso. Já tive mais tendências cleptómanas, na minha infância/juventude. Claro que um gajo tem de aproveitar quando não tem 18 anos, porque ainda é menor e as coisas não eram tão dramáticas. Mas lembro-me do Continente de Matosinhos, onde no início (ainda sem câmaras de filmar) surripiei algumas coisitas. Dentro das botas da Classe, dentro das cuecas, nos bolsos, etc. Chocolates, e outras coisas pequenas cabiam sempre.
Quando andava no Carolina Michaëlis (maizómenos 10º-11ºano), juntava-me com um grupo de amigos às sextas-feiras à tarde (não tinha aulas) e passeavamos pelas ruas do porto a visitar papelarias, bazares e quiosques. Um ou dois compravam umas chicletes enquanto os outros metiam o que pudessem dentro dos blusões de penas da altura. Eramos uns 5 ou 6. Na pura brincadeira e pelo gosto de fazer algo fora-da-lei, simplesmente. Um deles, conhecido por Rui Pastor, metia às dezenas de livros de BD dentro do blusão! Acabou no dia que uma de nós (que agora trabalha na RTP) foi apanhado a gamar o jornal A Bola. Uma livraria na rua S. Dinis (em frente ao canil) tinha jornais e revistas expostos cá fora. Passamos em fila indiana e 2 ou 3 tiraram um jornal do lado esquerdo (onde o dono já não via). Esse tirou o jornal do lado direito e o dono topou. Rapidamente o escondeu debaixo do pullover (não tinha blusão). O dono veio atrás de nós e perguntou quem o tinha roubado (com ar ameaçador). Esse meu amigo ficou tão apavorado que levantou as mãos a dizer que não tinha sido ele. Claro que quando levanta as mãos, o jornal cai no chão. Leva um estaladão, o dono pega no jornal e foi prá loja. Claro que passado um pouco estavamos a correr, não fosse ele dar por falta de outros.
Simbolos de carros também foram alguns (VW carocha, Mercedes, etc.)
Um dia vou contar tudo com mais pormenor, porque fica muita coisa por contar! Hehehe
Não cheguei a ir à Pacific Sud, apesar de ter ouvido essas histórias.
Intés

Dr.Lux0 disse...

Ouvi falar de um episódio na Ribeira, em que o "Sr. do Volante" meteu um guarda-sol dentro da mala de um carro e deu um estrilho do crl. Quem lá esteve que conte fáchavor.
=)

Anónimo disse...

Muito boa tarde meus senhores,
Como pragmático, que procuro ser, vamos directos ao assunto:
Recordo-me na minha viagem final de curso entrar na camioneta em Vila Real, que por sinal o dono da empresa era de um tio de um meu colega de curso. Vou-me limitar ao tema pois teria imensas outras coisas de partir a rir sobre essa viagem: Entre Vila Real e Chaves (20 Km) o motorista sabendo que o sobrinho do dono ia na camioneta perguntava variadíssimas vezes: Sr(s) Eng(s), sempre que desejem parar para ver algo, por exemplo num miradouro, cidade, etc, digam para que faça isso. Bem, numa das primeiras estações de serviço pedimos para parar. Antes de sair do da camioneta era um reboliço total: todos nós tratávamos de vestir um casaco. O homem devia pensar: não há dúvida que são engenheiros pois não dão a mínima hipótese de virem a engripar pois precavêm-se do frio antes de sair do autocarro. Passado uns 20-30 minutos entravamos todos entusiasmados na camioneta já bem "alimentados". As barrigas eram notavelmente bem mais largas quando regressávamos à camioneta. Acontece que de 15 em 15 minutos os nossos queridos motoristas recebiam informações para parar na próxima estação de serviço. Um de nós, ao verificar que a assiduidade às estações de serviços começava a ser demasiada e que os motoristas andavam intrigados foi falar com eles de um modo muito pomposo dizendo que alguns sofriam problemas de falta de retenção urinária e, daí os pedidos de paragem frequentes. Contudo, a +- 300 Km de Vila Real as paragens eram tantas mas nenhuma em miradouros ou monumentos que decidimos mudar de estratégia: Srs. motoristas, caso não seja muita maçada entre numa das cidades e dirija-se à parte comercial dessa cidade para iniciarmos a fazer algumas compritas de recordações para depois oferecer mos aos nossos parentes quando regressar mos pois nas holandas e bélgicas tudo deve ser caríssimo. Assim ocorreu e para amenizar a desconfiança decidimos "comprar" uma bruta agenda com esferográfica e não sei que mais; tudo em couro genuíno, marca Ferrari (tudo isto é verdade), etc. Bem, decidimos ao entrar na camioneta dirigir a palavra aos nossos queridos motoristas e dizer: como têm sido profissionalmente espectaculares decidimos cada um de nós quotizarmo-nos e adquirir esta simples (de simples não tinha nada!!!-era caríssima) para oferecer aos nossos queridos motoristas. Nem imaginam o agradecimento que tivemos e diziam-nos sempre: mas, não era necessário ofereçer algo tão valioso. Por favor, além de sermos vários, o que torna qualquer compra mais económica, o valor monetário é insignificante perante a simpatia, profissionalismo que têm demonstrado.........Foram milhentas paragens em estações de serviço e, como engenheiros, sempre precaução contra o frio: Vestir casacões antes de sair da camioneta e entrar na estação de serviço. Umas das vezes, um dos meus colegas mais dado à aquisição real foi falar com a funcionária da caixa registadora e perguntou se existia à venda manteiga de cajú (salvo erro). Ela respondeu: bem, se os seus colegas não "adquiriram" a totalidade ela estará na prateleira ali. Não entendo os estranjas, mesmo vendo e sabendo que eramos gastadores compulsivos raríssimas vezes dirigiam-se a nós para intervirem!!!????? (na realidade as suas caras transpareciam que estavam aterrorizados - estou como o òbelix: estes romanos, estranjas, estão doidos).
Recordo-me numa estrada na Holanda sobre um dos grandes diques (estava a nevar) estava a observar os produtos de uma lojinha e decido "afanar" uma boneca, sim uma boneca mas, enorme. A merda da boneca vinha embrulhada em papel transparente que fazia um ruído filha da p. Vejam lá a cena: com aquela neve toda fora um engenheiro não só deve ser pragmático mas também humano: com aquela neve toda fora da loja devia agasalhar a bonequinha. Assim, decidi pôr dentro do meu casacão que sempre punha quando saia da camioneta. Mas, um engenheiro português no século passado (XX) já se preocupava com a poluição sonora!!!! Filha da P. dos holandeses que decidiram embrulhar a boneca no papel transparente (plástico) que ao ser amarfanhado dentro do blusão fazia um ruído enorme. Bem, lá ia eu a dirigirme para a porta e sinto uma manápula sobre as minhas costas a dizer baboseiras em holandês (bem, seria holandês ou chinês? não sei pois não entendia nada do que dizia enquanto eu era arrastado para a porta de saída; pensei: até à porta parece que estou salvo de dores mas que será no momento da saída? à saída parece que fui cuspido e que voei um pouquito; afinal, fomos de camioneta na viagem de finalistas porque os tostões eram poucos para chegar ao avião e, mesmo assim, tive direito a voar!!!!
Noutra loja, julgo que na Antuerpia um dos meus colegas cheios de pasta decidiu que queria adquirir uma mala de viagem. Como era tímido decidimos ajudar nessa tarefa. Eu próprio me prontifiquei para ajudar, nomeadamente porque sendo um poliglota poderia conversar com os empregados da loja. Somente disse a esse meu colega: não compres logo a primeira mala que te dêm a ver na loja. Entramos e veio uma que ele gostou mas achou algo cara (para mim era caríssima). Continuou a ver e eu decidi levar essa mala que ele tinha gostado para outro sitio da loja (afinal, devemos ajudar os empregados no arranjo da loja); referi aos outros meus colegas que era aquela a que ele gostava de comprar. Depois dirigi-me novamente até ao colega que queria comprar a mala e entre outras viu uma mais económica e que era bastante maior. Falando com ele convenci que talvez fosse demasiado grande. Decidi ir também pôr essa mala no local de onde veio e avisei os outros colegas que aquela era a que ia ser comprada. Regressando novamente ao colega que ia comprar o empregado diziam-me constantemente: mas, o senhor é tão simpático, pois além de ajudar o seu amigo a escolher, ajuda-nos a nós a vender e, ainda por cima deixa-nos a lojas toda arrumada. Ao fim de tanta indecisão do meu colega consegui convencer que afinal talvez fosse de comprar o malão grande e económico que entretanto já tinha ido pôr na estante. Imediatamente ultrapassei o empregado pois não queria que ele pegasse nessa mala pois os meus outros colegas conseguiram que em 15 minutos tal mala continuasse com as mesmas dimensões mas com um peso bem superior; se estivesse a escrever só para engenheiros diria que o volume era o mesmo mas a massa aumentou consideravelmente; deste modo, a densidade foi incrementada.
O meu colega paga a mala e eu fiz questão de a transportar até à camioneta. Na camioneta., bem, o meu colega lá quis ver a qualidade do interior da mala, pensando no seu subconsciente: gosto desta mas, se não fosse ser demasiado cara a outra é que gostava mesmo de ter. Ao abrir ficou abismado: milagre, milagre, afinal tenho a mala dos meus sonhos!!!! Mas, que e o resto aqui dentro? Bem, pequenitas coisas, quase todas em couro que saiu como prenda pelo facto de ter adquirido uma mala grande e barata!!!! São estas pequenas recompensas que fazem com que o comércio na Bélgica esteja bem mais evoluído que o nosso pois estas particularidades fazem com que o cliente fique satisfeito e volte à loja. Não se esqueçam que o criminoso volta invariavelmente ao local do crime.
Muito mais poderia referir sobre essa viagem mas julgo já ser suficiente para dar uma panorâmica dessa viagem de engenheiros: a engenharia portuguesa além de eficaz é muito humana.


Já agora, mudando completamente de assunto PARABÉNS À SUSANINHA E AO IVO pelo CAMPEÃO QUE trouxeram ao AMIAL!!!!!!!!!!!!!SEGUNDO os meus cálculos vai ser um engenheiro exímio e, melhor do que isso, um excelente ouvinte da história do Amial (já estou a ver-me com bengala a narrar-lhe a história do Amial) e, ele enriquecido com o passado, construirá o seu presente que se projectará pelo futuro e será recordado como o digno descendente de tão prestigiosa zona da Lusitânia: o AMIAL.

Um abraço ao Amialenses,

Pedro Alves, também conhecido por Pedro Orelha

Graça disse...

O Pedro Alves, também conhecido por Pedro Orelha, é de facto único. LOL
Beijos

Pedro Alves disse...

Obrigado Graça pelo teu elogio mas quando me comparo com outras pessoas não passo de um insignificante personagem. De qualquer modo obrigado e um beijinho.


Já agora, continuo a descrever mais 3 situações caricatas dessa viagem:

1) Um dos colegas que ia na viagem era dono de um quiosque na cidade de Vila Real, junto à única sala de cinema que então existia, que por sinal era da sua mãe. Para quem conhece Vila Real, refiro que esse cinema e quiosque situava-se e situa-se no Pioledo.

Esse colega foi sem dúvida o nosso mestre. Nem imaginam a capacidade que ele tinha para essas habilidades. Não refiro o seu nome pois ele, na actualidade, é político aqui na zona e exerce importantes funções políticas nesta zona.

O método do casacão foi da sua autoria e, nós como seus aprendizes rapidamente seguimos as suas pisadas (quem me dera que os meus actuais alunos tivessem a mesma audácia que nós tínhamos perante o nosso colega-mestre, mas agora relativamente ao seu pequeno mestre José Pedro Alves!).

Nós, lusitanos da província e engenheiros, tínhamos uma avidez por estar informados da actualidade. No século passado as novas tecnologias ainda não tinham chegado a Trás-os-Montes e esse colega ao se aperceber da existência de "last news" em diversas revistas afixadas nos escaparates das lojas estrangeiras, pensou, pensou e, como engenheiro, levou a ideia à prática:
"Agasalhou" dezenas e dezenas delas, tal como todo o grupo o fez.

Bem, nem imaginam a quantidade e diversidade de revistas que existia na camioneta: eram de economia, eram de viagens-turismo, eram de desporto, eram de "jet-set", eram de fotografia e, claro, como não poderia deixar de ser existiam em grande quantidade revistas onde nós, os engenheiros, também nos podíamos informar, muito especialmente através da imagem, dos atributos do corpo humano. Um engenheiro que se preze de ter tal titulo deve estar sempre a par de toda a cultura, mesmo daquela a que alguns médicos (nomeadamente os ginecologistas) julgam ser de sua exclusiva responsabilidade.

Divagando mais um pouco do tema a que me propus no início, refiro que era incrível ver colegas que sempre foram super púdico(a)s a interiorizarem toda a esplendorosa informação em revistas que se dedicam à exploração dos bons atributos do corpo humano; nunca me esquecerei de uma minha colega, que é natural do Porto e que diziamos que só sabia tocar piano e falar françês, deleitava-se (embora com alguma vergonha) a aumentar a sua capacidade cognitiva a consultar revistas sobre "o corpo humano"!!!! (essa hoje tem um trabalho de grande responsabilidade numa empresa estatal).
Outros, muitas vezes os mesmos de atrás, que nunca souberam nada de desporto durante o curso aproveitaram esta última oportunidade do curso para adquirirem conhecimentos nessa área;

Como dizia, esse meu colega (o nosso mestre) tinha um quiosque em Vila Real. Na camioneta diversas vezes surgia grande discussão porque todos, excepto ele, punhamos as nossas "aquisições de revistas" à disposição dos demais. O nosso mestre nunca, mas nunca fez o mesmo com as suas!!!!! Mas porquê este egoísmo?
Bem, 1 semana após termos regressado a Vila Real ficamos todos a saber da sua atitude egoista. Nessa semana o seu quiosque estava bem recheado de revistas internacionais de alto gabarito e actualizadíssimas. Reparem como, por vezes também nós os engenheiros temos actitudes incorrectas perante colegas da mesma profissão. Afinal. O nosso mestre, mesmo durante a viagem pensou não só na economia de Portugal (vender essas revistas em Portugal traduzia um lucro de 100%; dirigiu-se ao estrangeiro para conseguir informação a baixo, ou melhor, custo 0; e nunca deixou de pensar que os seus clientes do quiosque também mereciam ser banqueteados com tais revistas, mesmo que para isso tivessem de dispender uns eurozitos, desculpem, uns escudos.

2) Numa rua da principais ruas comerciais de uma cidade holandesa, que é muito famosa por ter um dos melhores centros de ensino e investigação da Europa na área da agricultura (wageninger) lá ia eu e outro colega com uma máquina de fotos. A determinado momento olhamos para uma montra e qual o nosso espanto..................um dos nossos colegas estava na montra a despir um dos manequins!!!!!!!!!!! Tenho uma pena incrível de não Ter tirado uma foto dessa situação. De fora batemos no vidro para ele nos ver e ele ficou com uma cara irritadíssima com a nossa atitude e ficou como como uma múmia na montra?????? (quase parecia um manequim vestido com roupas "made in Portugal", ao lado de um manequim completamente nu!!!!!). Julgo que já entenderam que as peças de roupa do manequim entraram posteriormente no nosso país.

3) Esta terceira situação não se refere a compras ilícitas mas sim a uma compra completamente lícita:
O mesmo colega do manequim foi o protagonista desta situação que vos passo a referir.
A primeira noite após a saída de Vila Real foi em Andorra (foi a etapa da viagem mais distante num único dia). Como era a primeira noite estávamos ainda com todo o sangue na guelra. Nem imaginam a comboiada que fizemos nessa noite. Sá para terem uma ideia, recordo-me que outro dos meus colegas já estava com tal estado de embriaguez que num bar tipo disco não se apercebeu que para entrar na pista de dança havia um degrau com acentuado desnível e decidiu ir dar um passo de dança correndo para a pista. Bem, todo o dia tínhamos feito uma viagem por via terrestre; à noite ele experimentou a sensação de voar e aterrar quase no centro da pista de dança.
Quando o sol despertou foi necessário sairmos da cama para dar início à Segunda etapa da viagem de camioneta; acontece porém que o Paulinho não encontrava as suas botas e decidiu que ninguém sairia dali sem que ele tivesses as suas botas - após grande busca por todos os cantos chegamos à brilhante conclusão que ele deveria Ter lançado essas suas botas janela abaixo do hotel para que a população de Andorra ficasse a conhecer a qualidade da indústria manufactureira de calçado português. Tentamos convencer que não iria conseguir encontrar tais botas mas, ele dizia: eu não saio de Andorra sem umas botas. Quotizamo-nos, entre todos, para a aquisição de umas botas para o nosso estimado colega; a generosidade foi grande e, posteriormente pedimos aos motoristas que parassem 1 horita no centro de Andorra porque queríamos ir comprar um par de botas. Bem, nem imaginam a cara dos empregados da sapataria quando vêm 20-25 pessoas a entrar de rompante na sua loja (devem Ter pensado que iriam fazer um negócio da China). O Paulinho lá se sentou, vários pares de botas lhe foram apresentados e um grupo (19-24 pessoas) de colegas engenheiros ião dando a sua opinião. Ao fim de 15-20 minutos lá conseguimos convencer o Paulinhao a comprar uns vitorinos, julgo que "made in Andorra" e a casa só conseguiu vender um par aos potenciais 20-25 clientes!!!!


Pedro Alve

Pedro Galinhas disse...

Que riqueza de conteúdo! Que valentes chibadelas! O Bomba eu sei que ele nunca foi muito de gamar, porque, como ele diz, é cagão. Provavelmente terias mais consciência que os outros, não seria? O Luxo, lembro-me de quase tudo o que ele contou e pode entrar pro clube. Agora, o grande chefe, esse, deu uma prova cabal dos seus super-poderes, qual Fuhrer perante a multidão. Se nunca ninguém pôs em causa a sua liderança, ele reforçou-a, perpetuando-a, ad eterno, colocando fim a qualquer ideia que um qualquer elemento da nova geração tivesse um dia destroná-lo.
Eu atrever-me-ía afirmar que, embora a Engenharia tenha nele uma mais valia, o mundo do crime ficaria engrandecido se ele optasse pelo profissionalismo. Al Capone, Chacal, Arsene Lupin fariam parte de uma constelação ofuscada pelo astro-rei. Até sei porque nome ele seria conhecido...o "orelhas" ou o "Engenheiro", pois claro.

bombas disse...

Como o Galinhas diz, eu sou um cagão. E dos grandes...
Agora imaginem-me a ter de segurar esse astro-rei do gamanso em variadissimas situações onde nos podia ter acontecido o que aconteceu ao Ivo... no Dubai...
Afinal também já fui herói ao conseguir reprimir esses instintos malignos desse grande eng.º autodenominado por nós como "orelhas". hehehe
beijinhos orelhas e digo-te já uma coisa:
mais vale escrever pouco mas com regularidade do que altos testamentos só de vez enquando.
Por isso vê se botas a "caneta" mais vezes cá para fora...

Dr.Lux0 disse...

É demais quando um "mestre" desta ilícita arte que data dos primórdios da vida terrestre, conta, com o mais pequeno pormenor, algumas das suas inimagináveis aventuras. Mesmo assim ainda não saiu a que deu meio pró torto, na Ribeira portuense... Conta lá sôr Inginheiro!!
Gostei do "grão-mestre" que roubava no estrangeiro para vender em Portugal... na loja da mãe. Penso que isto também faz compreender um pouco a situação actual do País: Estavamos de "tanga", passamos para "fio-dental" e arriscamo-nos a ficar nús... Será que o desaparecimento dessas personagens - qual Robin dos Bosques - está directamente relacionado com a crise em que mergulhamos?
Deixo-vos a pensar
(Boa Pedrito-de-Trás-os-Montes!)